“A revanche”, por Antônio Augusto Ribeiro Brandão 

“A revanche”, por Antônio Augusto Ribeiro Brandão 

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Há circunstâncias acontecidas nas lutas pelos direitos humanos que o tempo gravou e tenta, sempre, cobrar. Pelo muito que sofreram nessas lutas em prol de afirmação social minorias vivem numa desordem e ausência de regras.

Vejamos antecedentes registrados pela história e disponibilizados na Internet:

“[…] pessoas de cor foram marginalizadas pela sociedade da época e isso refletiu negativamente para a realidade que temos hoje; fazemos parte de uma sociedade de preconceitos que foram estabelecidos ao longo da nossa história; a falta de visão dos nossos governantes daria brecha a muitas discriminações e desigualdades, sentidas até hoje; o trabalho de mulheres e crianças nas fábricas inglesas, no auge da Revolução Industrial, pode ser considerado escravismo; essas crianças crescem sem ter os valores que cabia à mãe ensinar e sem esses valores tornam-se adolescentes problemáticos, adultos infratores, imaturos; tudo isso é consequência da modernidade, tudo em nome dos direitos iguais; agora toda uma geração sofre as consequências […]”.

Dizem que, em tempos distantes, cidades foram literalmente destruídas quando o grau de devassidão e libertinagem então praticado atingiu o máximo. Um fato que não acontecia há mais de quatrocentos anos, pressionado pelas forças ocultas de sempre e bem próximas a ele, além de denúncias várias de corrupção, vazamento de informações e pedofilia no âmbito da Igreja, um Papa renunciou.

Esses acontecimentos sem dúvida foram sinais de que, desde os tempos remotos até os dias atuais, houve regras do que é considerado certo ou errado; dos usos e costumes exercidos de acordo com padrões de comportamento geralmente aceitos; dos valores e crenças praticados e devidamente respeitados.

O que está acontecendo para que, num movimento crescente, essas regras estejam sendo desrespeitadas? Penso, de forma benevolente e pragmática, que podemos estar diante da velha ‘luta de classes’ nunca sepultada, mas sempre renascida. Nada de sentimentos restritivos à liberdade e igualdade como alegados por quem tenta defender os ‘avanços’ sociais havidos.

Duas questões concretas e históricas, a meu ver, estão por trás de tudo: o regime escravista, que existiu inclusive entre nós por questões econômicas circunstanciais e demorou muito até ser abolido; e a emancipação feminina, fruto inexorável do desenvolvimento mundial e dos próprios direitos da mulher.

Tudo isso deixou sequelas e ressentimentos, que estão postos quase num clima belicoso. Minorias usualmente tratadas de forma marginal e sem condições de evoluir por esforço próprio, conquistando direitos e educação, de uma hora para outra e de uma forma mínima e filantrópica impulsionada pelos governos, e ainda subsidiadas pelo crédito fácil, passam a consumir e, ao mesmo tempo e sem base nenhuma, praticar atos de violência e selvageria.

Logo surgem as transgressões das regras estabelecidas pela própria sociedade em que vivem: usos e costumes, valores e crenças definitivamente alicerçados passam a ser agredidos da forma mais aberta possível, como se os fins justificassem os meios.

A Igreja e a Família estão sendo duramente atingidas. São os últimos redutos a serem transpostos antes que possam vingar essas condições extremas que muitos desejam estabelecer.

Faço um exame de consciência: professor universitário que fui durante longos trinta anos, ensinando e procurando educar, como fazia com meus filhos e faço com meus netos, fico pensando nas sementes que ajudei a plantar.

Infelizmente, tudo mudou. As nobres tarefas de ensinar, educar, e de viver em sociedade ficaram mais difíceis; os resultados estão aí a desafiar a ordem constituída e, enquanto isso, a criminalidade avança e a insegurança aumenta.

Seria uma revanche? O diretor Quentim Tarantino, no filme “Django Livre”, reserva a um figurante, eleito seu herói, “um glorioso acerto de contas”

jhgf

*Antônio Augusto Ribeiro Brandão  é economista e professor aposentado da UFMA