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Artigo originalmente publicado no jornal O Estado do Maranhão

O setor ambiental brasileiro continua a sofrer de males derivados não propriamente, da administração errática do governo federal. A incompetência administrativa existe, mas os problemas têm amplitude e raiz maiores do que se poderia pensar ao analisar somente as consequências imediatas das confusas ações governamentais nessa esfera.

Pode-se ver, quando se presta cuidadosa atenção, o antiambiental do presidente Bolsonaro bem como do ministro Ricardo Salles contra qualquer coisa com cheiro de preservação de florestas. Quem não se lembra da polêmica completamente sem sentido, com o presidente francês, Macron, a respeito do controle de incêndios e desmatamento na Amazônia? O resultado dessa bobagem foi a colocação do tratado de livre comércio entre o Mercosul e União Europeia, muito importante para o Brasil, em banho-maria, banho-josé, amélia, joão, etc. A verdade é esta, a fiscalização e o controle ambientais foram afrouxados no início do governo, não sendo de surpreender o salto nos danos às florestas tropicais brasileiras, observados por instituições idôneas e capacitadas à produção das informações pertinentes ao tema. Brotou desde então no Brasil um clima da guerra contra a discussão desses assuntos e das ações a eles relacionadas.

Chegamos, assim, ao ponto cimeiro, consequente ao clima de preconceito contra a preservação da floresta. Falo do caso de quatro membros de brigadas de combate a incêndios florestais, presos no Pará, sob a acusação de terem causado intencionalmente incêndios florestais em áreas rurais de Alter do Chão. A situação tensa na região, por obra de grileiros bem conhecidos, já fora denunciada ao governador do Estado, pelo prefeito de Alter. Ele disse, até, que os incêndios eram feitos por grileiros, com o fim de limpar os terrenos, cercá-los e, por fim, vendê-los, tudo com o apoio de policiais. Decorridas 24 horas dos incêndios, apareceram placas de “Vende-se”, conforme emissora de televisão local mostrou. A justiça decretou a prisão dos brigadistas. O juiz a decretá-la já foi advogado, nos negócios de grilagem, de sua própria família de madeireiros.

Mas, uma vez mais, os culpados eram as vítimas. Não exagero na minha avaliação negativa do governo.

O presidente da República, além de dar suporte verbal à prisão dos quatro brigadistas, efetuada sem a apresentação, pela polícia civil do Pará, de qualquer prova da acusação contra eles, que são pessoas reputadas na comunidade local como de grande utilidade no combate aos incêndios, ainda os acusou, também sem prova nenhuma, além das geradas por sua mente paranoica, de receberem de Leonardo Di Caprio recursos financeiros destinados ao cometimento do suposto crime. De onde ele tirou tal maluquice, ninguém sabe, como já aconteceu antes. Vocês se lembram das acusações de manipulação de dados feitas contra o INPE? Acusações desse tipo nefasto são semelhantes àquelas feitas contra a “Folha de S. Paulo”, o grupo Globo e quem mais da imprensa não for a favor do governo e criticá-lo. Onde estão as provas? Bem, as provas são as próprias críticas, parece ser o argumento bolsonarista.

Aliás, eu não deixarei de criticar os perigosos defeitos do governo atual, os mesmos dos períodos do PT, como esse de querer calar a imprensa. Os três, Lula, Dilma e Bolsonaro, são bem parecidos e têm concepções iguais e erradas sobre liberdade de imprensa. Também são brigadistas, pois vivem brigando com os fatos.

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Lino Raposo Moreira é economista e membro da Academia Maranhense de Letras