Crise-de-1929

Se quisermos entender bem a consequente conjuntura econômica vigente nos tempos atuais precisamos conhecer as causas básicas que foram determinantes de quase tudo, principalmente no caso das políticas públicas em economia monetária.

A Segunda Revolução Industrial (1850-1950) promoveu um elevado crescimento econômico, o aumento da renda, um desenvolvimento desordenado das populações nas cidades e o surgimento do socialismo.

A Primeira Grande Guerra (1914-1918) começou na Europa e envolveu Alemanha, França e Rússia; contribuíram para esse conflito a corrida armamentista e o imperialismo das grandes potências sobre territórios coloniais. O Tratado de Versalhes (1919), que consolidou a rendição da Alemanha (1918), impôs aos vencidos, sérias reparações desaguadas em recessão.

A Grande Depressão (1929), função da Primeira Guerra Mundial, levou ao ‘crash’ da Bolsa de Valores de Nova York; decorreram a queda na produção industrial, endividamento das empresas, desemprego em massa e falência de grandes bancos ‘alavancados’ em ações.

Os Estados Unidos, nessa época, eram presididos por Herbert Hoover (1874-1964), entre 1929 e 1933, e o Federal Reserve – FED, o banco central americano, por Eugene Meyer (1875-1959); eles pretenderam combater o ‘crash’ acreditando nas forças do próprio mercado, sem nenhum auxílio à liquidez.

Eleito Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), que governou entre 1933 e 1945, demitiu o então presidente do FED e adotou providências de controle da produção agrícola também investindo em infraestrutura, ferrovias, rodovias e portos.

Por ironia o ‘New Deal’, lançado depois por Roosevelt, desaguou na Segunda Guerra Mundial (1939-1945); decorrente dos fatos e das causas da Primeira, dos governos autoritários e militaristas, teve a participação dos Estados Unidos a partir do ataque à sua base em Pearl Harbor, no Japão, em 1941.

Meu interesse maior vem desde esses fatos históricos. Em 1980, atuando no sistema financeiro estadual e integrando uma comitiva de executivos brasileiros do setor, participei de um Seminário sobre mercado financeiro e de capitais, na Universidade de Nova York, visitando as Bolsas de Valores e de Mercadorias, grandes bancos, corretoras e distribuidoras de valores, para saber de perto as causas do ‘crash’ e 29 e os prognósticos dos especialistas.

Na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro, atual integrante da Universidade Cândido Mendes, onde me formei há 60 anos, estudei política monetária no livro do professor Eugênio Gudin (1886-1986), um não economista, mas filho de um, engenheiro, da escola liberal, presente na Conferência de Bretton Woods, em 1944, junto a John Maynard Keynes (1883-1946) e outros ilustres brasileiros como Roberto Campos (1917-2001) e Otávio Gouveia de Bulhões (1906-1990).

Desde que retornei ao Maranhão, em 1965, depois de 10 anos vivendo no Rio de Janeiro, protagonizei os seguintes fatos entre outros não menos importantes: professor da UEMA, desde 1968 até 1983, ensinando Teoria Econômica e, na UFMA, desde 1978 até 1997, ensinando Economia Monetária e Mercado de capitais.

Meu interesse pelas questões monetárias e fiscais estão nos meus livros, lançados no Brasil e no exterior, bem como demonstrado em um sem número de artigos, a partir de 2007; no dia 19 do corrente mês de novembro, na AMEI, lancei ‘Economia – Textos selecionados’, uma coletânea de artigos publicados na imprensa local e ainda pertinentes à crise das hipotecas, nos Estados Unidos e ainda repercutida em países da Europa.

ANTONIO-AUGUSTO-RIBEIRO-BRANDÃO

Antonio Augusto Ribeiro Brandão é economista e professor aposentado da UFMA