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Se quisermos entender bem a consequente conjuntura econômica vigente nos tempos atuais, precisamos conhecer as causas básicas que foram determinantes de quase tudo, principalmente no caso das políticas públicas em economia monetária.

A Segunda Revolução Industrial (1850-1950) promoveu um elevado crescimento econômico, o aumento da renda e um desenvolvimento desordenado das populações nas cidades, e o surgimento do socialismo. Em Caxias, por exemplo, na década de 40 do século passado, existia uma fábrica têxtil inaugurada em 1889 e que empregava diretamente mais de 300 pessoas; em termos relativos tendo por base a população de então, também porque existiam outras fábricas do ramo, a cidade era próspera.

A Primeira Grande Guerra (1914-1918) começou na Europa e envolveu Alemanha, França e Rússia; também contribuíram para esse conflito a corrida armamentista e o imperialismo das grandes potências envolvendo territórios coloniais. O Tratado de Versalhes (1919), que consolidou a rendição da Alemanha (1918), impôs aos vencidos sérias reparações desaguadas em recessão.

A Grande Depressão (1929), função da Primeira Guerra Mundial, levou ao ‘crash’ da Bolsa de Valores de Nova York, decorrente da queda na produção industrial, endividamento das empresas, desemprego em massa e falência de grandes bancos ‘alavancados’ em ações.

Os Estados Unidos eram presididos por Herbert Hoover (1874-1964), que governou entre 1929 e 1933, e o Federal Reserve – FED, o banco central americano, por Eugene Meyer (1875-1959); eles pretenderam combater o ‘crash’ acreditando nas forças do próprio mercado, sem nenhum auxílio à liquidez.

Eleito Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), que governou entre 1933 e 1945, demitiu o então presidente do FED, adotou providências de controle da produção agrícola e investiu em infraestrutura, ferrovias, rodovias e portos; por ironia, o ‘New Deal’ lançado por Roosevelt foi determinante da ascensão e do protagonismo de Adolf Hitler (1889-1945), prenúncios da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), decorrente dos fatos e das causas da Primeira, dos governos autoritários e militaristas, e que teve a participação dos Estados Unidos, a partir do ataque à sua base em Pearl Harbor, no Japão, em 1941.

Embora ainda muito jovem, lembro bem dessa Guerra, da segunda, a partir de 1940, quando passamos a residir em São Luís, na rua das Hortas nº 322, em frente à residência dos pais e avós do conceituado médico Gabriel Cunha, hoje sede da Fundação Josué Montelo. Tenho uma crônica escrita sobre esse tempo intitulada ‘Memórias da Guerra’.

Meu interesse maior vem desde esses fatos históricos, principalmente do ‘crash’ de 1929. Em 1980, atuando no sistema financeiro estadual e integrando uma comitiva de executivos brasileiros do setor, frequentei um Seminário sobre mercado financeiro e de capitais, na Universidade de Nova York, visitando as Bolsas de Valores e de Mercadorias, grandes bancos, corretoras e distribuidoras de valores, para saber de perto as causas do ‘crash’ e os prognósticos dos especialistas.

Na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro, atual integrante da Universidade Cândido Mendes, onde me formei há 60 anos, entre 1956 e 1959, estudei política monetária no livro do professor Eugênio Gudin (1886-1986), um não economista, mas filho de um, engenheiro, da escola liberal, presente na Conferência de Bretton Woods, em 1944, junto a John Maynard Keynes (1883-1946) e outros ilustres brasileiros como Roberto Campos (1917-2001) e Otávio Gouveia de Bulhões (1906-1990).

Vivi as esperanças do governo de Juscelino Kubistchek (1902-1976), desfeitas por seu sucessor Jânio Quadros (1917-1992), quando tudo era promissor e acabou descontinuando.

Desde que retornei ao Maranhão, em 1965, depois de 10 anos vivendo no Rio de Janeiro, protagonizei os seguintes fatos: professor da UEMA, desde 1968 até 1983, ensinando Teoria Econômica e, na UFMA, desde 1978 até 1997, ensinando Moeda e Bancos, depois Economia Monetária; executivo do sistema financeiro estadual, entre 1979 e 1887.

Meu interesse pelas questões monetárias e fiscais estão nos meus livros, lançados no Brasil e no exterior, bem como demonstrado em um sem número de artigos, a partir de 2007; em 2015, lancei ‘Desafios à teoria econômica/Challenges to the economic theory’, na Academia Maranhense de Letras e na Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas e, no próximo dia 19 do corrente, lançarei ‘Economia – Textos selecionados’, sob o patrocínio do Conselho Regional de Economia – CORECON, na AMEI.

jhgf

Antônio Augusto Ribeiro Brandão é economista