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Artigo originalmente publicado no jornal O Imparcial

O cenário internacional desenha diversos desafios para a economia brasileira e, consequentemente, para o Maranhão. A guerra comercial entre China e Estados Unidos trouxe instabilidade econômica induzindo empresas e estados estrangeiros com aporte em países subdesenvolvidos como o Brasil, a decidirem realocar seus recursos de forma a minimizar seus riscos, significando, em muitos casos, a retirada desse capital de países da periferia, onde a crise pode atingir a economia de forma mais violenta. Em casos mais graves, pode haver fuga de capital do país, afetando diretamente os investimentos estrangeiros direto e captados, reduzindo a capacidade de retomar o crescimento econômico.

Em panorama geral, isso está em alinhamento ao arrefecimento da economia mundial, que é projetada em 3,0% para 2020 pelo Fundo Monetário Internacional – FMI, no relatório trimestral (World Economic Outlook – WEO), sendo, portanto, a menor taxa de crescimento global desde a crise de 2008-2009. Além da disputa comercial supracitada, a desaceleração da atividade industrial em países desenvolvidos como Alemanha e Japão, o infindável processo de Brexit no Reino Unido, a queda de 3% do setor automobilístico e de bens tecnológicos duráveis, a desaceleração do ritmo de crescimento das economias do sudeste asiático e a instabilidade política na América Latina, a exemplo da Argentina, Paraguai e Colômbia, mais recentemente a onda de protestos no Chile por conta de medidas impopulares do governo e, destacadamente, a crise humanitária na Venezuela são outros fatores que contribuem para o cenário de incertezas, em especial, os no tocante aos investimentos de longo prazo, os quais são fortemente desencorajados nesse tipo de contexto.

A projeção do WEO para o crescimento da economia brasileira era, em março 2019, de 2,3%, passou para 0,8% em julho e agora está na casa dos 0,9%. Isso se deve, principalmente, à quebra nas expectativas geradas pelo processo de reformas que a economia brasileira vive e pelo fim das turbulentas eleições de 2018. No início do ano, a expectativa para retomada da atividade econômica do Brasil liderava o ranking de crescimento na américa latina e caribe. Passados 6 meses, com a chegada do relatório de julho, voltou a se falar de crescimento próximo à casa dos 1% que permanece até o momento. Vale ressaltar que essas estimativas estão alinhadas às de entidades nacionais (Boletim Focus, IBGE, Banco Central do Brasil etc.), que também revisaram para baixo suas expectativas.

O volume de trocas globais é diretamente afetado por esse cenário conturbado. Na primeira metade de 2019 registrou-se fraco crescimento nas trocas, (1% em relação ao mesmo período do ano passado), sendo induzido, sobretudo, pela brusca desaceleração do volume de importação da China e dos Estados Unidos (2% em Jan/2018 para -1% em Jan/2019), isso desenha o principal vetor de incertezas para o Brasil e o Maranhão.

No Maranhão, assim como no Brasil, grande parte de sua exportação é de commodities que têm como destinos esses dois mercados (25,4% para a China e 19% para os Estados Unidos). Alia-se então, a queda no volume de exportação à pouca valorização no preço das commodities. Já para 2020, apesar de estimativas menores em relação ao esperado no início deste ano, projeta-se recuperação da economia nacional em ritmo mais acelerado (+2,0%), fundamentado no crescimento das exportações (2,5%), o que demonstra um futuro mais animador para o próximo ano.

O preço das commodities agrícolas vem caindo gradativamente nos últimos três anos (8,5%), afetando negativamente o Maranhão, que tem na soja sua principal exportação (em torno de 20% da pauta). Todavia, esse cenário vem sendo contrabalanceado pela desvalorização cambial que aumentaria os lucros dos produtores. Já no setor de mineração, nesse mesmo período, houve aumento no preço das commodities metálicas (21%), incluindo a alumina calcinada e o minério de ferro – produtos da pauta maranhense – que também são alavancados pelo câmbio. Portanto, a permanência desses aspectos somados à concretização das previsões de aumento do volume de trocas globais para 2020, podem sinalizar aceleração da economia estadual para o próximo ano.

Sobre os autores:

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Marcello Duailibe é subsecretário estadual de Planejamento e Orçamento (Seplan/MA)

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João C. S. Marques  é economista conselheiro do Corecon-MA

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Matheus Pedrosa é conselheiro Regional Acadêmico de Economia (Corecon Acadêmico-MA)