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Artigo originalmente publicado no Jornal Pequeno 

A identificação política de alguém como sendo de “direita” ou de “esquerda” tem as suas raízes na Revolução Francesa em 1789. A terminologia decorreu do fato de os liberais girondinos e os extremistas jacobinos sentaram-se, respectivamente, à direita e à esquerda no salão da Assembleia Nacional. Os “direitistas” pregavam uma revolução liberal, a abolição dos privilégios da nobreza e estabeleceram o direito de igualdade perante a lei. Os “esquerdistas” também defendiam o fim dos privilégios para nobreza e clero, mas eram favoráveis a um regime centralizador.

A partir dessa concepção espraiaram-se pelo mundo os rótulos. Os que se diziam ser de “esquerda” seriam virtuosos e preocupados com o bem estar das populações carentes, com o meio ambiente, com as minorias indígenas, homossexuais, negras… Essas seriam “bandeiras” de quem se dizia ser de “esquerda”, como se aqueles rotulados como de “direita” por eles (esse maniqueísmo é típico de quem se diz ser esquerdista) se jactam em ter comportamento e postura arrogantes, serem maledicentes e saiam destruindo o ambiente, espancando negros, homossexuais, indígenas.

Convenhamos que é simplificar demais o comportamento da raça humana, de qualquer matiz política.

Pois bem, foi nessa onda de “esquerda”, e devido à revolução Bolchevique de 1917 que criou os Estados dito Socialistas do Leste Europeu, que se espraiou pelo mundo aquela onda nascida na Revolução Francesa. Na América Latina, o grande “barato” dos que se diziam ser socialistas e comunistas, era o regime Cubano liderado, com mãos de ferro (literalmente contra os inimigos), pelos irmãos Castro.

As dificuldades de comunicação de então facilitavam a vida daqueles que queriam divulgar que ali era o paraíso. Nos anos setenta foi lançado o livro do Jornalista Fernando de Morais, que teria feito “pesquisas” naquela Ilha e expôs as “maravilhas” da vida naquela Ilha. Eu comprei esse livro. Nele se lia que não havia mais prostitutas em Cuba.

Analfabetismo agora fazia parte da história. Não havia disparidade na apropriação da renda… Única verdade, contida naquele panfletário. Hoje sabemos que isso não acontecia, por uma razão singela: não havia renda para ser apropriada pela população. Apenas a casta que administrava o País se apropriava da pouca riqueza vinda do apoio financeiro incondicional da então União das Republicas Socialistas Soviéticas.

Essas idéias contagiaram alguns brasileiros que tiveram em João Goulart o grande incentivador, depois da desastrada renuncia de Jânio Quadros. A classe média, e a maioria dos brasileiros, não queriam que o regime Cubano se implantasse no Brasil. Com apoio popular e do Parlamento, João Goulart foi deposto e os militares assumiram o poder em abril de 1964, como todos nós sabemos.

Os que se diziam socialistas viram naqueles homens fardados no poder, os obstáculos para implantarem no Brasil o que queriam. Partiram para a clandestinidade. Parecia então que eram idealistas (mesmo se questionando o que buscavam), altruístas, desprendidos de valores materiais, que diziam ser da burguesia… Quanta ingenuidade de quem pensou assim!

Os militares conseguiram arrumar a economia do País, então em frangalhos, herança de governos desastrados anteriores, principalmente do governo populista de Juscelino Kubitschek. Entre 1968 e 1973 o PIB do Brasil cresceu a taxas nunca antes (ou depois) experimentadas no País. Mas foi justamente em 1973 que os pouco fornecedores de petróleo do mundo se cartelizaram na OPEP e passaram a controlar a oferta da matéria prima e os preços dispararam. A inflação interna disparou. O PIB estagnou. Os militares ficaram agastados. Criou-se o caldo de cultura para os movimentos da volta das eleições diretas para Presidente da República, cujo ápice aconteceu em 1984.

Nos palanques que lideravam o movimento estavam figuras tão díspares (sobretudo em caráter) como Lula, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso. Ninguém pode acusar Tancredo, Ulysses, Mário Covas de comunistas.

Mas aquelas manifestações estavam impregnadas com este sentimento. Tanto que a Rede Globo as ignorou solenemente.

Quem diria!

A “esquerda” ascendeu ao poder em 2003 e o resultado está ai. A corrupção ficou endêmica. Os “jacobinos” tupiniquins mostraram porque vieram. Os privilégios de poucos se exacerbaram. Presidentes, Governadores, Deputados, Senadores, Juízes (ufa!) ficaram milionários. Com raras exceções. O socialismo deles foi “criativo”. Criaram um montão de municípios. Quem não consegue boquinha em nível Federal ou Estadual, terá à disposição uma Prefeitura onde poderá empregar parentes, amigos… Não importa para esses “jacobinos” tupiniquins do século XXI se, dentre os 5.570 municípios que criaram, em praticamente 2000, o PIB per capita não ultrapassar um salário mínimo.

Muitos dos que “lutaram bravamente” contra os governos militares gozam de aposentadorias milionárias, em decorrência do seu “idealismo”.

Mergulharam o País na maior crise de todos os tempos e não nos deixam cuidar dos nossos destinos. A grande arma que têm é a manutenção de mais da metade dos brasileiros sem qualquer qualificação. Esses se contentarão com Bolsa Família e outras “esmolas”. E votarão neles. São a fonte de poder desses “esquerdistas”.

Ser “Jacobino” por aqui, ainda vale a pena. Para poucos, obviamente.

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José Lemos é professor na Universidade Federal do Ceará e coordenador do Laboratório do Semiárido (LabSar)