No tempo dos cavaleiros da Távola Redonda, ter um coração valente significava combater em espaço aberto muitas vezes em inferioridade de condições e, mesmo assim, vencer; modernamente, sem lanças, armaduras e capacetes de aço, e ainda sem um fogoso corcel, ter um coração valente admite outros significados e exigências, porém vencer continua sendo um objetivo fundamental.

Ao ensejo das comemorações promovidas pelo Conselho Regional de Economia, quero associar-me às conquistas da nossa profissão falando um pouco sobre as minhas vitórias.

Quando a Lei Federal n° 1411, de 13 de agosto de 1951, regulamentou a profissão, eu estava estudando o 2° ano do curso de contabilidade, na tradicional Escola Técnica de Comércio do Centro Caixeiral, em São Luís.

Àquela altura seguia o que as circunstâncias determinavam: meu pai, Antônio Brandão, era comerciante em Caxias e experimentava relativo sucesso com sua loja de fazendas, ferragens, estivas e miudezas em geral, a famosa “Casa Brandão”?.

Acontece que meu destino profissional não era esse e acabou surgindo de uma das viagens que meu pai fez a São Paulo, aonde ia regularmente ao reabastecimento da sua loja; dessa vez, sem que eu houvesse manifestado interesse, ele trouxe um folheto da Fundação Álvaro Penteado, naqueles tempos já oferecendo curso à formação de economistas. Foi “bater o olho”? e ter a certeza: é isso que eu quero ser!

Ainda conclui o curso de contabilidade e voltei a Caxias, em fins de 1952; no ano seguinte cumpri, por dez meses, minhas obrigações com o serviço militar alternadas com alguma assistência contábil, na Loja, e o ano seguinte foi todo de preparação em busca de novos ares.

Eu estava decidido e meu pai nunca disse nada que não fosse de apoio à minha decisão, embora certamente desejasse o plano inicial. Viajei para o Rio de Janeiro, e não para São Paulo, em fins de dezembro de 1954, voando num Douglas DC-3, da Real-Aerovias, chegando ao destino depois de longas 12 horas de vôo.

No dia 12 de janeiro de 1955, iniciei no meu primeiro emprego, na empresa Rinder Indústria e Comércio, que fabricava o conhecido Xarope Vic, de saudosa memória; depois veio a Financial Importadora e Exportadora, de dirigentes que frequentavam o “high society”?; a seguir uma firma individual de engenharia, onde a secretária mandava mais do que o presidente; e finalmente, na Companhia Brasileira de Fertilizantes, de objetivos definidos e gestão profissional do mesmo grupo da Fosforita Olinda S/A, mineradora de fertilizantes, em Recife, onde permaneci até minha volta ao Maranhão, em outubro de 1965.

Nesse período em terras cariocas, onde nasceram dois dos meus filhos, aproveitei para cursar economia, entre 1956/59, na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro, atual integrante da Universidade Cândido Mendes, então dirigida pelo Conde Cândido Mendes de Almeida Júnior.

Entre meus ilustres professores, alguns deles militantes nas lutas em prol do reconhecimento da nossa profissão, como Mário Sinibaldi Maia, estavam, entre outros ilustres, Francisco de Paula e Silva Saldanha, Reynaldo de Souza Gonçalves, Álvaro Ribeiro, Moacyr Corrêa e Orlando Miranda de Aragão.

 

 

ANTÔNIO AUGUSTO RIBEIRO BRANDÃO

Maranhense de Caxias é economista formado pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro, em 1959, atual integrante da Universidade Cândido Mendes, e Pós-Graduado em Administração Contábil e Financeira pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Atual Superintendente de Área de Êrgãos de Governo da Secretaria de Planejamento e Orçamento-SEPLAN, da Prefeitura de São Luís, a partir de 2005.