*Antônio Augusto Ribeiro Brandão

“Quando acertamos, ninguém se lembra; quando erramos, ninguém se esquece.”? Ditado Irlandês.

Em tempos de crise, como agora, as Bolsas de Valores do mundo todo são as que primeiro refletem as dificuldades dos agentes de produção, com abruptas alterações no valor de mercado das empresas refletidas nas cotações das ações negociadas e determinantes, em alguns casos, de graves prejuízos.

Há que considerar, também, nesses tempos, a taxa de juros elevada entendida até como instrumento de política monetária, de combate à inflação. Há, portanto, um custo de oportunidade envolvido na tomada de decisão.

Investir implica na necessidade de financiar e a estrutura de capital das empresas resulta das suas diretrizes de financiamento: usar recursos próprios ou de terceiros, entretanto, deve envolver o conhecimento prévio dos custos desses recursos. Quanto custa o capital?

A decisão de investir decorre do exame de alternativas e da escolha daquela que melhor remunera o capital; o custo do capital é um padrão financeiro máximo para as despesas de capital.

Poderíamos imaginar o custo do capital igual à taxa de juros, para facilidade de entendimento e simplificação da realidade; bastaria que o empresário fosse eficiente na aplicação dos recursos para ter garantido um retorno compensador, como se tudo dependesse de variáveis internas e estivéssemos em um mundo de certeza absoluta. Tal não ocorre, todavia, na prática. Por quê?

Primeiro, porque a taxa de juros não é um padrão financeiro comum para recursos próprios e de terceiros; o empresário paga os juros do capital de terceiros independente da lucratividade do seu negócio enquanto a sua própria remuneração e a de seus acionistas fica na dependência dessa lucratividade. Depois, como variáveis externas, fatores conjunturais interferem no processo tornando complexa a tarefa de determinar o verdadeiro custo do capital, que varia de empresa para empresa e de lugar para lugar, em virtude da diversidade de padrões de eficiência e dos custos cobrados pelas diversas fontes de financiamento.

Apesar das limitações, a empresa necessita ter um padrão financeiro que determine sua taxa mínima de retorno e o limite máximo das suas despesas de capital; existem várias fórmulas de calcular essas variáveis, mas, tudo depende da eficiência na gestão dos recursos e do posicionamento no mercado de capitais.

Um pouco de aspectos práticos à tomada de decisão na atual conjuntura, no curto prazo: as estatísticas registraram mais um trimestre de queda do PIB brasileiro, com altas e baixas nas vendas de setores diversos da economia; por outro lado, recursos globais para investimentos mostram-se disponíveis às aplicações no mercado de ações de países emergentes, como o Brasil, como alternativa à baixa rentabilidade nos países desenvolvidos.

A crise que assola o Brasil tem um forte componente político, que começa a ser equacionado; a manutenção dessa liquidez internacional, com possibilidade de refletir-se ainda mais no nosso mercado de capitais, é função da confiança que os investidores estrangeiros – também os nacionais – possam ter na recuperação da nossa economia.

*Economista. Membro da Academia Caxiense de Letras e da Academia Ludovicense de Letras.

** Texto publicado na edição do dia 25 de julho, do Jornal O Estado do Maranhão.